Letter - PT

Caro cidadão,

Já faz algum tempo desde que falámos pela ultima vez. Daí, achar que chegou a altura de o voltarmos a fazer.

Ambos sabemos que estes últimos anos têm sido muito difíceis. Muita coisa mudou desde que a família se uniu – e cresceu. Por duas vezes, quase que incendiámos a casa toda, mas juntos, com muito suor e lágrimas, conseguimos reconstrui-la. Mandámos um muro abaixo, um muro que representava medo. Tornámos fácil a possibilidade de andarmos de um lado para o outro, em trabalho ou simplesmente para estudar – até para irmos de férias.

Muito mudou desde os nossos primeiros dias juntos. Agora, somos uma verdadeira família. Alcançámos coisas grandiosas. No trabalho, na nossa qualidade de vida, no modo como olhamos uns pelos outros – tudo isto deve fazer-nos sentir muito orgulhosos. Nunca como antes a nossa saúde foi tão boa. A nossa riqueza cultural é a inveja do mundo lá fora. (Já reparou na quantidade de turistas que chegam de todo o lado?)

Mas não podemos olhar só para o passado, ou ficar presos no presente.

É por tudo isto que lhe escrevo esta carta. Se queremos encontrar um caminho para este tempo de incertezas e mudar o futuro, teremos de o fazer juntos.

Ás vezes, pode até ter ficado a ideia que não fazia mais do que simplesmente falar, mas, garanto, estava a tentar fazer o melhor por todos nós. Para fazer desta casa um lugar seguro e confortável. No entanto, no meio disto tudo, acho que fiquei um pouco envolto à volta de todos estes projetos – a expandir a casa, preocupado com as contas, mas também com os novos que chegavam.

Lembra-se do dia em que me disse como esta relação deveria ser? Pois bem, aqui estou, de corpo e alma, a tentar voltar a ganhar a sua confiança.

Em primeiro lugar, deveremos relembrar as regras da casa. Como dito antes, estas não são negociáveis nem para nós nem para quem chega de novo. Debaixo deste teto, a dignidade das pessoas deve ser sempre respeitada, ponto. Nós aceitámos que cada um tenha a sua crença e liberdade de a praticar, desde que não interfira com a dos outros. Manter estas regras nem sempre foi fácil, mas nós sabemos o quão importantes estes valores têm sido. A confiança mutua, que realço, também faz parte do acordo, pois estamos nisto juntos. (Outra coisa que aliás o mundo lá fora também nos inveja). Aqueles que não respeitam estas regras não são mais bem-vindos a esta casa.

Compreendo que possa sentir que nem sempre tenha estado no centro da minha atenção. Mas garanto-lhe, sempre esteve! Tenho estado a trabalhar arduamente para garantir que as lojas estejam abertas – com as prateleiras cheias, em manter a vizinhança segura, inclusive em manter a família unida.

Agora, um assunto sobre o qual todos nós estamos especialmente preocupados: a segurança. Principalmente depois das coisas terríveis que vimos em várias cidades. Temos estado a trabalhar arduamente para fortalecer as nossas fronteiras externas e em melhorar os nossos sistemas de combate ao terrorismo, onde se inclui o recurso a alta tecnologia, de forma a obter toda a informação necessária. Estamos até a trabalhar para juntar as nossas forças armadas.

Mas quando falamos de segurança, também falamos em oportunidades de vingar na vida. Temos estado a por em prática várias ideias para criar mais emprego, especialmente para os jovens, e em como providenciar a formação necessária a todos. E isto aplica-se em todos os domínios, dos laboratórios às lojas ou à construção civil. Estamos a trabalhar para que ninguém fique de fora.

Hoje em dia, o mundo gira a uma velocidade estonteante. Aqueles que outrora compravam os nossos produtos, hoje produzem-nos eles mesmos. Devemos, por isso, encontrar novas formas de nos manter competitivos assegurando que todos lucram. Não devemos recear o mundo ou a globalização. Mas juntos, devemos estar na linha da frente em definir uma nova estratégia global e liderar o caminho.

Ser criativo, trabalhar todos juntos (quem sabe até com robôs), são, no fim de contas competências que iremos precisar. (Os nossos Valores, também estes têm de ser ensinados – “as regras da casa” lembra-se!). Precisamos de pensar em novas formas de abordar os problemas, em ir para além do obvio. (Por falar nisso, estas lições não são apenas para as nossas crianças!).

Acho que tentei, nesta carta, partilhar o meu ponto de vista, em fazer o ponto de situação. Mas pretendo também renovar o meu compromisso: atender às suas chamadas e não prometer mais do que posso verdadeiramente cumprir (lembre-se: se algo parece bom demais para ser verdade, então é porque não é verdadeiramente).

Espero que isto contribuia para fortalecer a nossa confiança mutua.

Diga-me na volta o que pensa.


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